Sob o termo genérico, Modernismo, resumem-se as corrente artísticas que, na última década do século XIX e na primeira do século XX, propõem-se a interpretar, apoiar e acompanhar o esforço progressista, econômico-tecnológico, da civilização industrial. São comuns às tendências modernistas: 1) a deliberação de fazer uma arte em conformidade com sua época e a renúncia à invocação de modelos clássicos, tanto na temática como no estilo; 2) o desejo de diminuir a distância entre as artes “maiores” (arquitetura, pintura e escultura) e as aplicações aos diversos campos da produção econômica (construção civil corrente, decoração, vestuário, etc); 3) a busca de uma funcionalidade decorativa; 4) a aspiração a um estilo ou linguagem internacional ou européia; 5) o esforço em interpretar a espiritualidade que se dizia inspirar e redimir o industrialismo. Por volta de 1910, quando ao entusiasmo pelo progresso industrial sucede-se a consciência da transformação em curso nas próprias estruturas da vida e da atividade social, formar-se-ão no interior do Modernismo as vanguardas artísticas preocupadas não mais apenas em modernizar ou atualizar, e sim em revolucionar radicalmente as modalidades e finalidades da arte.

      Le Corbusier, Mies Van der Rohe e Frank Lloyd Wright, os três mais importantes e influentes arquitetos do século XX, arquitetos das três casas mais importantes do século XX, Villa Savoye, Casa Tugendhat e Casa Robie, respectivamente. 

     Como resultado das várias pesquisas realizadas por Le Corbusier e Pierre Jeanneret, foi publicado em 1926 um documento que reúne os Cinco Pontos de Uma Nova Arquitetura, pontos estes que se tornaram cânones da Arquitetura Moderna. 

 

Casa Tugendhat, Tchecoslováquia - Obra de Mies Van der Rohe, inspirada no Pavilhão de Barcelona, faz considerável uso do vidro e de materiais nobres. Na face sudoeste, grandes aberturas garantem o aquecimento da casa durante o rigoroso inverno. Era a oportunidade ideal para realizar o conceito de abrir o espaço interno para o exterior através de uma ampla pele de vidro, característica marcante do projeto. Fonte: http://www.greatbuildings.com/cgi-bin/gbi.cgi/Tugendhat_ House.html/cid_100 8267391_tug_ma_gardenview5.html

Vila Savoye, França - Projetada pelo mestre Le Corbusier em 1929, foi erguida sobre pilotis e pretendia ser um exercício de geometria abstrata, pura, branca: a mente de um homem confrontada com o mundo natural. Tem seu piano nobile elevado, o que permite a luz inundar os principais aposentos, as janelas e terraços cobertos proporcionam vistas do campo francês. É um magnífico exemplo de como o mundo da luz solar e os elementos podem se relacionar por meio de uma casa geométrica, altamente refinada, com vantagens mútuas. Fonte: http://www.greatbuildings.com/

Casa Robie, Chicago - Construída pelo arquiteto Frank Lloyd Wright, no ano de 1909, seus aposentos fluem como em um vagão ou em um transatlântico, unidos por vastos tetos horizontais e providos de fileiras contínuas de janelas. Fonte: http://www.greatbuildings.com/

  

 CARACTERÍSTICAS 

  •  Rejeição aos estilos históricos, principalmente aos que vinham com ornamento;
  • Edifícios econômicos, limpos, funcionais e racionais;
  • Formas geométricas definidas;
  • Integração da arquitetura com o entorno pelo paisagismo.
  • Os Cinco Pontos de Le Corbusier: 

    1. Pilotis: a casa fica no ar, longe do terreno; o jardim passa sob a casa;
    2. Tetos-jardins: razões técnicas, econômicas, funcionais e sentimentais transfere o solo ocupado pelo prédio para cima na forma de um jardim;
    3. Planta Livre: o concreto armado traz para a casa a planta livre;
    4. A “fenêtre en longueur”: as janelas podem correr de um lado a outro da fachada, permite uma relação desimpedida com a paisagem;
    5. Fachada Livre: as pilastras afastam-se em relação à fachada, na direção da parte interna da casa.

      

    MÁXIMAS DO MODERNISMO 

      

    “Menos é Mais” (Mies Van der Rohe)

     “A Forma segue a Função” (Louis Sullivan)

      

    HABITAT MODERNO “A MÁQUINA DE MORAR” 

     

         Existiam três preocupações básicas: garantir a reposição de energias para o trabalho, economizar na construção e economia de tempo. 

         Segundo Le Corbusier no CIAM de 1930, apontou pontos que devem dispor nas moradias, como: iluminação solar, ar puro e isolamento em relação à vizinhança, recuperando energias físicas e nervosas dos moradores. 

         As preocupações relativas à economia são inerentes ao pensamento burguês. A arquitetura no século XIX passava de casas rebuscadas burguesas para programas de necessidades amplos, embora com espaços cada vez menores. Em casas para operários, buscava-se o conforto juntamente com higiene e privacidade, com custos mínimos. Para baratear a moradia dos trabalhadores, os adornos do exterior foram simplificados. 

        Com o avanço do modernismo outras características foram concebidas como o desnudamento das fachadas, eliminando o supérfluo e o ostentatório. Penetrando nos interiores buscou-se reduzir os espaços, móveis e objetos julgados não necessários, com o intuito de padronizar o mobiliário. Segundo Etienne Cabet, o ideal seria casas iguais, com mobiliários iguais justificando como medida de economia reduzindo o valor do mobiliário, em que a família ao mudar-se de casa, levaria apenas objetos pessoais, pode ser visto como uma estratégia garantindo eficiência a mais pessoas. 

         Gropius defendia a funcionalidade, querendo libertar a arquitetura do caos decorativo, eliminando o gosto pessoal dos moradores. 

         Em 1929 no CIAM, o conceito de moradia mínima, é definido como capaz de harmonizar boas condições de higiene com o mínimo de custo e áreas. Le Corbusier defendia a “justa escala humana” delimitando 45m² como suficiente para uma família de seis pessoas. Tratava-se de redefinir o padrão de moradia popular ideal que estava delineado desde o século XIX considerado excessivo, pé direito de três metros, áreas espaçosas, elementos decorativos, então as vanguardas começam a propor um padrão mais barato. O contato com a natureza, como ter um jardim, é negado, porque isso traria um aspecto rural para condições de cidade grande. 

         Em maio de 1931, aconteceu em São Paulo o Primeiro Congresso de Habitação, onde Bruno Magro defendia tese de ter jardins no entorno das residências unifamiliares e argumentava que os prédios multifamiliares deveriam ser definitivamente abandonados, ter no máximo casas unifamiliares agrupadas em blocos de duas, quatro ou seis. 

         Entre os arquitetos de destaque no Movimento Moderno brasileiro estão Lúcio Costa, cuja obra e contribuição teórica são de grande importância, Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Attilio Correa Lima, os irmãos Marcelo e Milton Roberto e outros. 

         É a Oscar Niemeyer que se atribui a “popularização” do modernismo no Brasil. Após a eclosão do Movimento Moderno, este subdivide-se em várias tendências estilísticas. No Rio de Janeiro a fusão dos princípios Modernistas europeus com a herança nativa resulta em uma arquitetura de formas mais livres. É nesse aspecto que evidencia-se a originalidade de Oscar Niemeyer. 

         Abandonando o funcionalismo exagerado dos ideais Modernos, Oscar Niemeyer utiliza em suas obras formas curvas mais livres, que buscam a beleza, não sendo o resultado final da obra somente conseqüência de sua função. Tais características estão presentes no projeto para o Conjunto da Pampulha (1942-1943), em Minas Gerais. Dentre outras obras deste arquiteto destacam-se, além dos famosos edifícios em Brasília, O Grande Hotel de Ouro Preto (MG, 1940), com o qual inicia uma série de obras governamentais em Minas Gerais, e o Parque do Ibirapuera(SP, 1951-1955). 

      

    MODERNISMO NO BRASIL 

     

         No Brasil, o Modernismo desencadeou-se nos anos 20, principalmente em São Paulo, considerado tardio em relação ao que ocorria na Europa. 

         Se na Europa o Modernismo veio para solucionar os problemas gerados pelas mudanças sociais e econômicas causados pela Revolução Industrial, no Brasil, as obras modernistas vêm para se firmar como estilo, representante da identidade cultural brasileira e como representante do “espírito da época”. 

         A arquitetura moderna no Brasil, foi introduzida por arquitetos estrangeiros, tanto que foi o arquiteto russo Gregori Warchavchik quem projetou a primeira casa neste estilo, a “Casa Modernista” (1929-1930), construída em São Paulo. 

         Porém, foi Le Corbusier quem teve mais influência na formação do pensamento modernista entre os arquitetos brasileiros. Sendo suas idéias as fontes inspiradoras para os principais ícones da arquitetura moderna brasileira: Oscar Niemeyer e Lúcio Costa. 

         Le Corbusier veio ao Brasil algumas vezes, inclusive para orientar a equipe de arquitetos que, em 1936, projetou o edifício da nova sede do Ministério da Educação e Saúde no Rio de Janeiro. Em suas vindas ao Brasil realizou conferências e difundiu seus ideais, reforçando ainda mais sua influência entre os jovens arquitetos da época. 

      

    Ministério da Educação e Saúde Pública – MES – Primeira obra moderna de repercussão nacional, cujo projeto foi realizado em 1936, por uma equipe de arquitetos: Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Carlos Leão, Jorge Moreira e Ernani Vasconcelos, liderados por Lúcio Costa. O projeto foi orientado pelo próprio Le Corbusier que veio ao Brasil a convite do então Ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema. O edifício foi concebido de acordo com os fundamentos modernistas e tornou-se um marco para a arquitetura brasileira. Compõe-se de um volume em altura sobre pilotis e um outro mais baixo e perpendicular ao primeiro. Suas fachadas foram tratadas de acordo com a incidência solar, utilizando-se brise – soleils e vidro. No seu interior a planta é livre. Alguns locais receberam azulejos e murais do pintor Candido Portinari, artista de destaque no Movimento Moderno brasileiro, e os jardins receberam esculturas de Lipchitz, Bruno Giorgi e Celso Antonio. Fonte: discutindoarquitetura.wordpress.com/modernismo1/

         Importante ressaltar que o Estado teve papel importante no processo de afirmação do Modernismo brasileiro, enquanto patrocinador de obras que buscaram o Modernismo como símbolo de modernidade e progresso. 

     

    ALGUMAS OBRAS E ARQUITETOS BRASILEIROS 

         Entre os arquitetos de destaque no Movimento Moderno brasileiro estão Lúcio Costa, cuja obra e contribuição teórica são de grande importância, Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Attilio Correa Lima, os irmãos Marcelo e Milton Roberto e outros. 

         É a Oscar Niemeyer que se atribui a “popularização” do modernismo no Brasil. Após a eclosão do Movimento Moderno, este subdivide-se em várias tendências estilísticas. No Rio de Janeiro a fusão dos princípios Modernistas europeus com a herança nativa resulta em uma arquitetura de formas mais livres. É nesse aspecto que evidencia-se a originalidade de Oscar Niemeyer. 

         Abandonando o funcionalismo exagerado dos ideais Modernos, Oscar Niemeyer utiliza em suas obras formas curvas mais livres, que buscam a beleza, não sendo o resultado final da obra somente conseqüência de sua função. Tais características estão presentes no projeto para o Conjunto da Pampulha (1942-1943), em Minas Gerais.  

        

    Igreja São Francisco - Considerada a obra prima do conjunto. Com estrutura independente, lajes de concreto apoiadas em pilares e abóbada parabólica de concreto armado. Fonte: http://www.trekearth.com/

        Dentre outras obras deste arquiteto destacam-se, além dos famosos edifícios em Brasília, O Grande Hotel de Ouro Preto (MG, 1940), com o qual inicia uma série de obras governamentais em Minas Gerais, e o Parque do Ibirapuera(SP, 1951-1955).

     

    Grande Hotel Ouro Preto - O hotel de Ouro Preto, corteja o cenário à sua frente e reitera a horizontalidade do Palácio dos Governadores acima. Foto: Diego Batista

    Parque do Ibirapuera - Oscar Niemeyer é o arquiteto que passou a cuidar do projeto arquitetônico do lugar, desde 1951. Roberto Burle Marx se responsabilizou pelo projeto paisagístico. O Ibirapuera como conhecemos hoje, foi entregue a São paulo em 21 de agosto de 1954. Formado por diversos edifícios com características do movimento moderno, o visitante pode escolher entre o Planetário, o Museu de Arte Moderna, o Pavilhão da Bienal, o Pavilhão Japonês e o Viveiro, só para citar algumas. Fonte: mundoacelerado.wordpress.com/2008/08/

    Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM) - Do arquiteto Affonso Eduardo Reidy, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro situa-se no Parque do Flamengo, em um cenário privilegiado. Pensado para dialogar com a paisagem - a horizontalidade da composição para fazer frente ao perfil dos morros cariocas -, as fachadas envidraçadas, trazendo para o interior o paisagismo de Burle Marx, o projeto de Reidy apresenta-se racionalista e plástico a um só tempo. Não há distância entre a estrutura e a aparência final. Os vãos livres têm um fim prático: a liberdade de composição oferecida ao espaço expositivo, o convite ao jardim no plano térreo. Do cuidado com o concreto aparente à escolha dos granitos e pedras portuguesas, o projeto ganha o parque. Fonte: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/rio-de-janeiro/museu-de-arte-moderna-do-rio-de-janeiro.php

    Conjunto Residencial Pedregulho, RJ - A estética e os princípios defendidos por Le Corbusier se fazem sentir no projeto do Pedregulho, do arquiteto Affonso Eduardo Reidy, a partir de 1947, no cuidado com as tecnologias aplicadas na construção, na economia de meios utilizados e nas preocupações funcionais estreitamente relacionadas às soluções formais: controle da luz e da ventilação, facilidade de circulação. O edifício erguido sob pilotis, tem suas fachadas, montadas pela alternância entre brise-soleils fixos, faixas contínuas de peitoris e janelas venezianas. Fonte: http://www.vivercidades.org.br/publique_222/web/cgi/...

    Residência no Morumbi, SP - Do arquiteto Oswaldo Bratke, esta Residência no Morumbi, data de 1951, de estrutura simples e modulada, pilares esbeltos, coberta por uma laje plana, constitui um volume prismático articulado por cheios e vazios que se alternam nas fachadas através de fechamentos, elementos vazados e varandas. A planta admite reordenações, já que as paredes internas são resolvidas com armários e fechamentos leves. Fonte:http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/oswaldo-bratke-residencia-oscar-11-09-2007.html

                                 A  Arquitetura do Movimento Moderno  é uma designação genérica para o conjunto de movimentos e escolas arquitetônicas que vieram a caracterizar a arquitetura produzida durante grande parte do século XX. Partiu de um forte contexto artístico e cultural. O termo modernismo é uma referência que não traduziu diferenças marcantes entre arquitetos de uma mesma época, sendo que todos projetavam a partir dos mesmos princípios.

     

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